terça-feira, 2 de novembro de 2010

Convite ao surto coletivo

É o surto nosso de cada dia. Um dia há a paixão; no outro, a aversão. Amanhã pode ter razão. E no ano passado, nem pensar, não!

Até que num momento, um instante de calmaria é alcançado. Pronto! Outro desespero toma lugar, forma e tudo o mais que fez o presente sair do passado e querer correr para o futuro. É tanta vontade de não perder o prumo, ainda que este de fato não exista como um todo, que esquece-se de aproveitar o que ele tem. Não se curte o surto; a ânsia de não deixá-lo ir é como uma moléstia safada e impregnante. Torna-se crônico:  nasce o sofredor-compulsivo, tipo comum e altamente metido a infeccioso.

Por isso, sugiro que surtemos juntos e um dia de cada vez. Não se trata de fazer doidivanices psicopatas e suicidas, mas que curtamos o surto de um sorriso inesperado, de um beijo roubado, de um momento de silêncio, de alguém que chegou na hora mais estapafúrdia... Que saibamos aproveitar cada quebra de ordem, cada mudança de drenagem entrelaçada ou meandrante, que consigamos enxergar que a beleza está justamente aí. Se for bom, que aprendamos; se for ruim, que aprendamos também. Tudo precisa ir e vir. Tudo pode dar certo!

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