quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Aos Borbotões

A energia vital, aquela que ninguém pode nos roubar. Quando a trocamos com alguém, em vários níveis de sentir, temos a exata noção  de que estamos escancaradamente vivos. E como ser de natureza aberta, assim como a flor sem o frio pudor do outono, considero essa energia algo muito rico. Saltam-me aos olhos, ao coração e ao cálice-de-amor-e-boas-vindas a necessidade de esconder a natureza e a inabilidade de outros seres em encarar o fluxo como algo pecaminoso de se sentir. Sentir. Dentro e bem no fundo, onde quem não convidamos não entra. Mesmo.

Entraves de diversas naturezas - comportamentais e de outras entidades ainda mais obscuras - impedem a singela demonstração do prazer absoluto, o simples compartilhar do desejo como forma de externar nossa essência. Não falo sobre a vil banalização e concretização deste desejo, que acaba por destruir o que de mais bonito ele tem : a espontaneidade.  Verso sobre toda a maravilha que o contato entre duas pessoas em sua forma mais primal e verdadeira possui em si mesmo. E se não tiver verdade, bate o comichão do mal-feito, do "por que diabos eu fiz isso?" ; que me perdoem os mais revolucionários.

Eu sinto, eu libido, eu quero. No entanto, tenho experimentado e constatado que estes verbos precisam estar em conjunção. Que se danem os libertinos e os que pregam as experiências de puramente experimentar. Acho isso uma bosta. Acho que viver assim é uma bosta. No meu sentir, na minha libibo e no meu querer mando eu; do contrário, seria a tão falada morte em vida.

Que beijemos, que toquemos, que sintamos, que sejamos piegas, que troquemos enfim não só fluidos, mas também nossas energias genuinamente, mantendo o mesmo fluxo que faz o mundo gritar e brotar.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Convite ao surto coletivo

É o surto nosso de cada dia. Um dia há a paixão; no outro, a aversão. Amanhã pode ter razão. E no ano passado, nem pensar, não!

Até que num momento, um instante de calmaria é alcançado. Pronto! Outro desespero toma lugar, forma e tudo o mais que fez o presente sair do passado e querer correr para o futuro. É tanta vontade de não perder o prumo, ainda que este de fato não exista como um todo, que esquece-se de aproveitar o que ele tem. Não se curte o surto; a ânsia de não deixá-lo ir é como uma moléstia safada e impregnante. Torna-se crônico:  nasce o sofredor-compulsivo, tipo comum e altamente metido a infeccioso.

Por isso, sugiro que surtemos juntos e um dia de cada vez. Não se trata de fazer doidivanices psicopatas e suicidas, mas que curtamos o surto de um sorriso inesperado, de um beijo roubado, de um momento de silêncio, de alguém que chegou na hora mais estapafúrdia... Que saibamos aproveitar cada quebra de ordem, cada mudança de drenagem entrelaçada ou meandrante, que consigamos enxergar que a beleza está justamente aí. Se for bom, que aprendamos; se for ruim, que aprendamos também. Tudo precisa ir e vir. Tudo pode dar certo!