A energia vital, aquela que ninguém pode nos roubar. Quando a trocamos com alguém, em vários níveis de sentir, temos a exata noção de que estamos escancaradamente vivos. E como ser de natureza aberta, assim como a flor sem o frio pudor do outono, considero essa energia algo muito rico. Saltam-me aos olhos, ao coração e ao cálice-de-amor-e-boas-vindas a necessidade de esconder a natureza e a inabilidade de outros seres em encarar o fluxo como algo pecaminoso de se sentir. Sentir. Dentro e bem no fundo, onde quem não convidamos não entra. Mesmo.
Entraves de diversas naturezas - comportamentais e de outras entidades ainda mais obscuras - impedem a singela demonstração do prazer absoluto, o simples compartilhar do desejo como forma de externar nossa essência. Não falo sobre a vil banalização e concretização deste desejo, que acaba por destruir o que de mais bonito ele tem : a espontaneidade. Verso sobre toda a maravilha que o contato entre duas pessoas em sua forma mais primal e verdadeira possui em si mesmo. E se não tiver verdade, bate o comichão do mal-feito, do "por que diabos eu fiz isso?" ; que me perdoem os mais revolucionários.
Eu sinto, eu libido, eu quero. No entanto, tenho experimentado e constatado que estes verbos precisam estar em conjunção. Que se danem os libertinos e os que pregam as experiências de puramente experimentar. Acho isso uma bosta. Acho que viver assim é uma bosta. No meu sentir, na minha libibo e no meu querer mando eu; do contrário, seria a tão falada morte em vida.
Que beijemos, que toquemos, que sintamos, que sejamos piegas, que troquemos enfim não só fluidos, mas também nossas energias genuinamente, mantendo o mesmo fluxo que faz o mundo gritar e brotar.